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Quando se perde um filho...



um anjo sentado sobre um túmulo
Quando se perde um filho entende-se o significado da palavra "luto"

O vazio que fica após a partida de ente querido é inexplicável. No luto, nos coloca diante da finitude, a morte - aquela da qual de fala - é real, inclusive na nossa vida. Nessa dor impõe-se a tomada consciência de que a ausência é permanente, de que não há nada a ser feito, de que vamos conviver com as diversas formas de "se" que ficam em ciranda nos pensamentos, de que somos impotentes diante do tempo, diante do passado, diante do fato - dor, fragilidade, vulnerabilidade extrema - principalmente quando se perde um filho!


A dor do luto é uma experiência emocional intensa, individual e profunda de qualquer forma, mas na perda de um filho, mais do que dor, há desespero, culpa (várias culpas - algumas conscientes, outras nem tanto e outras nenhum pouco conscientes), mas estão todas lá, buscando justificar, dar sentido, justificar - mas, para um pai, para uma mãe - não há sentido, porque a ordem natural da vida foi interrompida e a alma sabe que uma regra foi quebrada.


Mas, por pior que pareça, por mais incoerente e devastador que seja, pai e mãe precisam continuar, precisam honrar a vida do filho com mais vida, não podem alimentar ainda mais a morte, não podem permitir que a morte leve mais do que já levou. O sorriso do filho continua no rosto da mãe, no olhar do pai. A voz, o cheiro, o toque, as falas, as expressões, o caminhar - tudo ainda existe. Os sonhos, os feitos, a história do filho continua existindo através do amor dos pais. O filho vive nos pais, porque ele era metade de cada um.


Podemos utilizar algumas estratégias para superar o desespero, para enfrentar a dor e seguir em frente, disponibilizo algumas:


Permita-se sentir: É importante deixar fluir as emoções associadas ao luto. Chore o quanto precisar, não queira explicar nada, só sinta e deixe sair. Reconheça os sentimentos, entenda-os, converse consigo mesmo. Olhe para suas culpas com amor e perdoe-se, você não sabia fazer diferente, você não sabia ser diferente, você fez o seu melhor nas condições que tinha e, tenha certeza, seu filho sabia disso e amou você assim.


Compartilhe sua dor: Converse com familiares, com amigos sobre como se sente, sobre sua dor, dúvidas, sentimentos. Quanto mais você falar, mais fácil será organizar seus pensamentos e sentimentos acerca da perda. Eles também sentem. Olhe para seu cônjuge, para o pai ou mãe do seu filho, saiba que também sofre, olhe para os outros filhos, primos, eles também sofrem. Muitas vezes sofrem pela perda e por você.


Se despeça: Para pais e mães, os rituais fúnebres não são suficientes, porque estão incrédulos, porque não parece verdade, porque não faz sentido, porque estão desesperados, porque há muitas pessoas dizendo muitas coisas e parece tudo solto e confuso. Não há uma despedida real, há só desespero, por isso pais e mães precisam se despedir, quantas vezes forem necessárias até que o coração sinta alívio. Pai, mãe, diga o que queria ter dito e não disse, explique o que queria ter explicado e não explicou, simule (com um travesseiro) o abraço e os beijos que você acha que faltaram, complete a despedida.


Não desista de si: Embora seja difícil, embora o corpo não queira, embora a alma resista, esforce-se para manter uma rotina diária saudável: coma bem, exercite-se regularmente, durma o suficiente, evite o uso de substâncias nocivas como álcool ou drogas para fugir da dor, ela não vai desaparecer. Você precisa continuar vivendo e vivendo bem, justamente porque seu filho não pode fazer isso, você fará por ele.


Pratique a autocompaixão: Seja gentil consigo mesmo durante esse período, reconhecendo que o luto é um processo demorado, exigente e exaustivo e que é normal ter altos e baixos emocionais. Permita-se descansar, cuidar de si mesmo e, quando se sentir em condições, saia com amigos, faça novos amigos, conheça novos lugares, experimente novos sabores, sinta a vida.


Busque grupos de apoio: O luto requer cuidado, facilmente pode se tornar prisão, por essa razão é importante buscar apoio. Sozinhos, pai e mãe, dividem a dor, é preciso dividir também a esperança, por essa razão, um grupo de terapia é o melhor apoio, porque forma uma rede de empatia, de semelhanças, de partilha de estratégias de enfrentamento e superação e, entenda, superar o luto não significa abandonar o filho, não significa deixar de sentir - superar significa lembrar o filho com amor, menos dor (dor menor, menor, menor,...)


Procure ajuda profissional: A dor do luto vai interferir na sua vida, mas não pode interferir de forma a obstruir o fluxo da vida, caso isso aconteça é importante procurar ajuda profissional. Um terapeuta ajudará, num primeiro momento, a manter a dor no nível do "suportável", depois trabalhará pela redução contínua da dor, fornecer um suporte adicional.


O luto não segue um cronograma, cada um sente e vive esse momento do seu jeito, mas precisa de ajuda para aprender a viver e sentir, porque sabemos que a vida é efêmera, que o tempo de cada pessoa é diferente, sabemos da finitude, mas nunca estamos preparados para isso. Não há um manual ou um curso preparatório, sempre somos pegos de surpresa e, é dentro do processo que vamos aprendendo a lidar com a ausência, com a dor, com o tempo. Nada vai preencher o vazio, nada vai compensar a perda, nada trará o filho de volta, nada fará pai e mãe esquecerem ou deixarem de amar, mas o choro vai diminuir, as boas lembranças vão superar a dor do último dia e, devagar, lentamente, um novo "normal" começa, uma nova rotina, uma nova forma de alegria, uma nova forma de viver, só que agora, o filho mora no coração e tudo bem, sempre estará bem guardado ali.


Aos pais e mães que perderam um grande amor

Meu carinho, meu respeito, meu abraço


Rubia Tessaro

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